sábado, 17 de outubro de 2015

Autos de Moralidade


Quando ganhei "Autos de Moralidade" confesso que não achei interessante. A capa e o título dão uma impressão de algo entediante e enfadonho, e atrás do livro não tem nem sequer uma resenha! Após adiar muito o momento da leitura tive uma grande surpresa ao encontrar nesse livro uma ótima trama, uma narração clara e profunda e personagens envolventes. Hoje é um dos meus livros preferidos.
             No primeiro capítulo já temos uma situação bem incomum: na idade média, fim do séc. XIV, um jovem padre foge de seu monastério onde transcrevia obras religiosas e aprendia a doutrina católica encontra-se com fome e com frio no meio do rigoroso inverno europeu. Vagando dessa forma por uma floresta depara-se com uma ainda mais estranha cena: algumas pessoas vestidas com roupas exóticas que viajavam numa carroça reúnem-se numa clareira ao redor de um cadáver.
              Tais pessoas nada mais são que uma trupe de artistas circenses, que viajavam encenando autos de moralidade (peças que retratavam passagens bíblicas) decidindo o que fazer com seu amigo morto- não havia como enterrá-lo no chão duro, mas também relutavam em abandoná-lo ali. A trupe composta é pelo líder Martin, personagem astuto e cativante ao qual todos os ouros seguem fielmente, Spring  um garoto de 14 anos singelo e que faz os papéis femininos, Straw, um mímico muito esquisito, Stephen, o "durão" e sua mulher Margaret, antiga prostituta que casou-se com tephen e passou a viajar com eles fazendo tarefas como cozinhar e lavar as roupas. 
             A trupe precisava de um novo integrante e Nicholas Barber (o padre) precisava de comida e um rumo, logo é aceito (mesmo que sem a aprovação de alguns) já que tem habilidades de cantar e falar latim que poderiam ser úteis nos espetáculos. Os artistas se vêem obrigados a parar num vilarejo próximo para apresentar-se e conseguir algum dinheiro, pois as reservas estavam escassas e o enterro de seu amigo sairia muito caro. Com as peças que sempre apresentavam não estavam rendendo o esperado eles então tem uma perigosa ideia: encenar algo que toda a vila estava comentando, não uma passagem bíblica, mas algo real, o que na idade média era algo novo e profano. A ideia torna-se ainda mais perigosa quando decidem encenar o misterioso assassinato do garoto Thomas Wells.
              Depois que encenam pela primeira vez a versão que todos conhecem do assassinato (que foi um sucesso)  eles decidem investigar melhor e acabam descobrindo que há muitos pontos que não se encaixam, anunciam então a peça do "verdadeiro assassinato de Thomas Wells" e a verdade envolve pessoas e coisas perigosas de se dizer abertamente naquela época de repressão...
              O livro é surpreendente e imprevisível. Recomendo bastante. Alguns trechos:

"Foi por causa de uma morte que tudo começou e por causa de outra morte que nós continuamos."- primeira frase da primeira página

"Havia uma mensagem nisso, como houve na primeira vez que os encontrei. O que para o néscio é um acaso, para o sábio é um sinal" capítulo 3


   Mari   :-)





sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Horizonte Perdido


             "Horizonte Perdido" é mais um livro que achei pegando poeira no fundo de uma estante, uma edição de 1980 já com as páginas caindo. Logo no prólogo, um personagem (cujo nome não foi citado) encontra-se com velhos conhecidos- Wyland e Rutherford. Durante o encontro os amigos discutem a respeito de um avião desaparecido num voo sobre o Tibete contendo o piloto e mais quatro passageiros- um deles Hugh Conway, que fora colega de faculdade deles. Conway fascinara todos ao seu redor com sua personalidade segura e cativante, tanto que o narrador e Rutherford marcam outro encontro apenas para discutir sobre ele. Rutherford revela então que, ao contrário do que todos pensam, Conway não houvera morrido no avião e fora encontrado num hospital chinês sem memória alguma. Ruterford, reconhecendo-o, ficara com ele por algumas semanas para leva-lo de volta à Inglaterra e tentar ajudá-lo. Nesse intervalo de tempo Conway recupera a memória e narra sua misteriosa aventura, que vai compor o corpo do livro.
            O avião que transportaria Hugh Conway (que atuava na guerra como cônsul britânico), Miss Roberta Brinklow (uma freira idosa que voltava de uma missão de evangelização no oriente), Henry D. Barnard (cidadão americano) e o capitão Charles Mallison (vice cônsul, jovem que trabalhava com Conway) é sequestrado por um tibetano que se disfarça de piloto e guia a nave até as cordilheiras de montanhas do Tibete. Após um pouso forçado numa montanha cheia de neve e isolada do resto do mundo, o sequestrador acaba morrendo sem dar explicações aos passageiros que confusos, refugiam-se num misterioso mosteiro mosteiro no meio das montanhas.
             Sim, um mosteiro e um vilarejo chamado Shangri-lá em um lugar frio e desolado à centenas de quilômetros de distância da civilização é ago estranho, mas essa não é a única coisa estranha a perturbar a mente dos tripulantes refugiados. O monge que os recebe (Tchang) fala fluentemente inglês e constantemente recusa-se a dar mais informações sobre o lugar e seu funcionamento. Não se vêem monges no mosteiro além de Tchang e uma bela chinesa que toca piano. O mosteiro apresenta encanamento e tecnologia do ocidente, objetos como livros, banheiras, obras de arte e instrumentos da mais alta qualidade. E Conway começa a perceber sinais que apontam que talvez, a queda do avião ali não fora um acidente e que o monge tenta rete-los no povoado.
            Diante essa mudança brusca nos planos cada personagem reage de um modo. Miss Brinklow e Barnard parecem conformar-se (descobrimos posteriormente que ele também possuem seus mistérios), Mallison fica desesperado e revoltado. Conway, com seu temperamento racional e tranquilo, fica fascinado e sente-se plenamente feliz naquele lugar de belas paisagens e aura pacífica. Encanta-se pelos livros e pelo piano, e pelas curiosas pessoas que ali habitam.
             Para um livro antigo, Horizonte Perdido possui uma linguagem profunda, mas não complexa, com ótimas descrições das personagens e paisagens. Passamos o livro inteiro na expectativa, esperando ação e descobertas, que vão acontecendo gradativamente, até que quando nos damos conta estamos já na última página. Como a partir do prólogo já temos alguma noção do final (que Conway sai sem memória do vilarejo) a cada página isso parece mais bizarro. Por que Conway sairia de um lugar que se identificava tanto? O que aconteceu com os outros? Como ele conseguiu sair de lá? Quem são afinal essas pessoas misteriosas de Shangri-lá?
           

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Entre deuses e monstros






 Esse livro narra várias contos da mitologia grega,faz com seus leitores viagem por histórias,lugares,conheçam novas pessoas,algumas com cabeça de touro,cabelos de serpente,conta também a história de Hipías ,que como muitos da sua comunidade vivia de acordo com as vontades dos deuses tendo contato direto com heróis e deuses,é uma viagem fascinante a cada linha mais intensa. É uma leitura fácil e agrega conhecimento. Quando você se dá conta,infelizmente, a última linha dar-te adeus.
     Mariana

As Aventuras de Robin Hood



                   Todo mundo já ouviu falar em Robin Hood: um fora da lei justiceiro que rouba dos ricos para dar aos pobres. Poucos porém conhecem os amigos e as aventuras malucas que esse herói fanfarrão se mete diariamente. Tudo começou quando Robin se dirigia à um torneio de arco e flecha tendo porém incidentes no caminho com dois guardas florestais acaba matando um deles (Um parente do xerife de Nottingham) e passa a ser o procurado número um.
                  Robin se refugia no bosque de Nottingham, e com seu espírito brincalhão e justiceiro logo se vê rodeado por amigos e homens tão corajosos quanto ele. Passa assim a liderar esse bando e à cada capítulo mais personagens cheios de personalidade aparecem e mais tramas vão se desenrolando.
      Os personagens são muito cativantes, cada um à sua maneira, mas no geral por estarem sempre bem humorados e prontos para pregarem uma boa peça uns nos outros, e é claro, por nunca negarem ajuda à ninguém. A narração apresenta-se rica em detalhes e apesar disso muito clara sendo possível visualizar todas as cenas que se passam sob as copas verdes dos bosques e nos grandes castelos de pedra. O livro também traz várias ilustrações feitas pelo próprio autor.
              Acima de tudo é um livro muito contente, ótimo pra quem procura boas histórias divertidas e um pouco de descontração. Quando terminei de ler deu até uma saudade, pois senti que tinha viajado para Londres, andado pelas florestas, visto as flores de primavera caírem e principalmente conhecido cada um dos membros do bando e participado de cada aventura com eles <3.
            Os diálogos são bem formais, mas é um livro de fácil entendimento e eu recomendo bastante :-)


         Mari :-)

sábado, 23 de novembro de 2013

Um Gato de rua chamado BOB


           As frases na capa do livro já dizem quase tudo: a incrível história 100% real de como um gato muito  especial mudou radicalmente a vida de James Bowen. Tudo começou quando certo dia James encontrou um gato amarelo nos corredores no prédio de seu apartamento, o bichano estava magro e muito mal, porém era muito dócil de um modo que Bowen mesmo cheio de problemas familiares e financeiros não resistiu a seu carisma.
         A vida de James sempre fora muito turbulenta, desde criança vivia viajando com sua mãe, e quando teve oportunidade mudou-se para morar na Inglaterra. Lá envolveu-se com drogas e virou um morador de rua triste e sem esperança, tentou fazer um tratamento várias vezes, mas também não conseguira finalizar. Mais tarde, para ganhar seu sustento tocava sua guitarra nas ruas.
        James vê naquele gato triste e abandonado um pouco de si mesmo e a partir dali diversas transformações em sua vida vão acontecendo e dentro dele mesmo. Agora como? Só lendo o livro.
        "Um Gato de rua chamado BOB" é uma história muito divertida e emocionante, a forma como o pequeno felino conquista a todos e as reviravoltas ao longo da vida destes dois dão algo especial ao livro. Bob já conquistou não só James e as pessoas da sua cidade como também leitores de várias partes do mundo, e aposto que você adorar o jeito todo carismático do bichano.
         Tem muitos videos do Bob disponíveis no YouTube, mas o mais legal é um mini documentário sobre James e Bob: A Street Cat Named Bob, recomendo que dêem uma olhada.
                                                    Mari  
       

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Tóquio- Ano zero

Gênero: Drama, suspense, policial.
        O Japão perdeu a guerra e está totalmente arrasado. Por todo lugar há rastros de destruição: prédios em ruínas, pessoas miseráveis, vidas perdidas, márfias, prostituição... E é nesse cenário que o detetive Minami se encontra, não menos desesperado e desconsolado que os outros japoneses.   Minami luta para levar pra frente sua vida, família e lidar com seus conflitos internos, além do emprego difícil onde há cada vez mais casos para investigar. Ele acaba ficando com o caso de mulheres encontradas mortas no parque Shiba e no decorrer do livro vai descobrindo ainda mais coisas sobre elas e sobre si mesmo.
      A narração do livro é muito intrigante, a personagem narra, mas as frases são cheias de flash backs e palavras ou onomatopéias repetidas, o que dá um clima de suspense. Eu demorei muito pra me acostumar com esse tipo de narração, onde você acaba descobrindo coisas que a personagem não conta ou descobre que algumas coisas que você pensava que sabia no começo do livro, mas estava tudo errado.
     O livro é bem pesado, tanto na narração impactante quanto nas desgraças que acontecem em Tóquio: crimes, estupros, assassinatos... Mas, algo bom nesse livro é que as investigações policiais são bem realistas, diferente de livros como Sherlock Holmes onde o detetive descobre tudo num passe de mágica, em Tóquio há toda uma investigação, autópsia, interrogatório e trabalho de campo que poderiam facilmente ser reais.
                                          Mari  ;-)

domingo, 2 de junho de 2013

O Principe e o Mendigo


Gênero: Aventura                            Categoria: Clássico Universal
           O livro narra a história de dois jovens: Eduardo Tudor e Tom Canty. Dois garotos de aparência idêntica, mas realidades totalmente diferentes: Eduardo é um príncipe nascido e crescido em meio ao luxo, enquanto Tom é um mendigo de vida difícil e sofrida. Tom sempre sonhou em conhecer o principe e um dia vai até a porta do palácio, porém um guarda o agride em meio a multidão e o jovem príncipe o defende. Eduardo e Tom conversam um pouco, falam sobre suas vidas e ficam facinados com as diferenças. Resolvem brincar de trocar de roupa, ficando assim irreconheciveis, o problema é que a brincadeira acabou tornando-se um grande mal-entendido e Tom acaba ficando no lugar do príncipe, e Eduardo um simples mendigo.
          O rei morre e Tom acaba por virar o novo rei, e descobre que a vida real não é bem aquilo que imaginou, na verdade é repleta de cerimonias e restrições, e ao dizer a verdade é dado como louco por todos da nobreza, que fazem de tudo para fazer-lhe recuperar a memória. Já com Eduardo é muito pior, mesmo com toda a liberdade que sonhou passa por várias enrascadas, pois ao ser dado como louco ganha apenas ridicularizações e socos de multidões furiosas. É sequestrado, quase assassinado, preso.... acaba vivendo a realidade de um povo pobre, sofrido e injustiçado.
      A história parece muito manjada, mas o livro traz uma narração divertida e leve, ao mesmo tempo que traz diversas críticas às injustiças e abusos de poder. É um livro fino, em torno de 200 pequenas páginas. Me diverti muito lendo.
                                                    Mari