sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Horizonte Perdido


             "Horizonte Perdido" é mais um livro que achei pegando poeira no fundo de uma estante, uma edição de 1980 já com as páginas caindo. Logo no prólogo, um personagem (cujo nome não foi citado) encontra-se com velhos conhecidos- Wyland e Rutherford. Durante o encontro os amigos discutem a respeito de um avião desaparecido num voo sobre o Tibete contendo o piloto e mais quatro passageiros- um deles Hugh Conway, que fora colega de faculdade deles. Conway fascinara todos ao seu redor com sua personalidade segura e cativante, tanto que o narrador e Rutherford marcam outro encontro apenas para discutir sobre ele. Rutherford revela então que, ao contrário do que todos pensam, Conway não houvera morrido no avião e fora encontrado num hospital chinês sem memória alguma. Ruterford, reconhecendo-o, ficara com ele por algumas semanas para leva-lo de volta à Inglaterra e tentar ajudá-lo. Nesse intervalo de tempo Conway recupera a memória e narra sua misteriosa aventura, que vai compor o corpo do livro.
            O avião que transportaria Hugh Conway (que atuava na guerra como cônsul britânico), Miss Roberta Brinklow (uma freira idosa que voltava de uma missão de evangelização no oriente), Henry D. Barnard (cidadão americano) e o capitão Charles Mallison (vice cônsul, jovem que trabalhava com Conway) é sequestrado por um tibetano que se disfarça de piloto e guia a nave até as cordilheiras de montanhas do Tibete. Após um pouso forçado numa montanha cheia de neve e isolada do resto do mundo, o sequestrador acaba morrendo sem dar explicações aos passageiros que confusos, refugiam-se num misterioso mosteiro mosteiro no meio das montanhas.
             Sim, um mosteiro e um vilarejo chamado Shangri-lá em um lugar frio e desolado à centenas de quilômetros de distância da civilização é ago estranho, mas essa não é a única coisa estranha a perturbar a mente dos tripulantes refugiados. O monge que os recebe (Tchang) fala fluentemente inglês e constantemente recusa-se a dar mais informações sobre o lugar e seu funcionamento. Não se vêem monges no mosteiro além de Tchang e uma bela chinesa que toca piano. O mosteiro apresenta encanamento e tecnologia do ocidente, objetos como livros, banheiras, obras de arte e instrumentos da mais alta qualidade. E Conway começa a perceber sinais que apontam que talvez, a queda do avião ali não fora um acidente e que o monge tenta rete-los no povoado.
            Diante essa mudança brusca nos planos cada personagem reage de um modo. Miss Brinklow e Barnard parecem conformar-se (descobrimos posteriormente que ele também possuem seus mistérios), Mallison fica desesperado e revoltado. Conway, com seu temperamento racional e tranquilo, fica fascinado e sente-se plenamente feliz naquele lugar de belas paisagens e aura pacífica. Encanta-se pelos livros e pelo piano, e pelas curiosas pessoas que ali habitam.
             Para um livro antigo, Horizonte Perdido possui uma linguagem profunda, mas não complexa, com ótimas descrições das personagens e paisagens. Passamos o livro inteiro na expectativa, esperando ação e descobertas, que vão acontecendo gradativamente, até que quando nos damos conta estamos já na última página. Como a partir do prólogo já temos alguma noção do final (que Conway sai sem memória do vilarejo) a cada página isso parece mais bizarro. Por que Conway sairia de um lugar que se identificava tanto? O que aconteceu com os outros? Como ele conseguiu sair de lá? Quem são afinal essas pessoas misteriosas de Shangri-lá?
           

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